Aula 7: Disciplina Sociologia Geral e Jurídica

Iniciando o assunto:

Em uma formulação muito breve, pode-se afirmar que a interpretação do Brasil formulada por Florestan Fernandes revela a formação, os desenvolvimentos, as lutas e as perspectivas do povo brasileiro.

Um povo formado por populações indígenas, conquistadores portugueses, africanos trazidos como escravos, imigrantes europeus, árabes e asiáticos incorporados como trabalhadores livres.

Mas essa é uma história baseada no escambo e escravidão, no colonialismo e imperialismo, na urbanização e industrialização, por meio da qual se dá, inicialmente, a formação da sociedade de castas, e, posteriormente, da sociedade de classes.

Uma história atravessada por lutas sociais da maior importância, desde as revoltas de comunidades indígenas contra os colonizadores às lutas contra o regime de trabalho escravo. História essa que, no século XX, desenvolve-se com as lutas de trabalhadores do campo e da cidade pela conquista de direitos sociais ou pela transformação das estruturas sociais.

Uma parte importante da sociologia de Florestan Fernandes concentra-se na pesquisa e interpretação das condições e possibilidades das transformações sociais. Florestan Fernandes é o fundador da sociologia crítica no Brasil.

A reflexão de Florestan Fernandes sobre os fundamentos lógicos e históricos da explicação sociológica inspira-se nessa perspectiva crítica; constrói-se com ela. Aí se localiza a cuidadosa análise das três matrizes clássicas do pensamento sociológico: o método funcionalista, ou objetivo, sistematizado por Durkheim; o compreensivo, formulado por Weber; e o dialético, criado por Marx.

Primeiro, cabe ressaltar a sociologia clássica e moderna;

Segundo, destaca-se o pensamento marxista: “Trata-se de converter a teoria em força cultural e política (ou em força real), fazendo-se com que ela opere a partir de dentro e através de ações concretas de grupos, classes sociais ou conglomerados de classes”

Terceiro, é importante a corrente mais crítica do pensamento brasileiro. Em diferentes momentos, manifesta-se um diálogo, explícito ou implícito, com Euclides da Cunha, Lima Barreto, Manuel Bonfim, Astrojildo Pereira, Graciliano Ramos, Caio Prado Júnior e outros cientistas sociais e escritores, inclusive do século XIX

Quarto, é básico o significado dos desafios da época, a começar pelos anos 40. As transformações em curso na sociedade, em termos de urbanização, industrialização, migrações internas, emergência de movimentos sociais e partidos políticos, governos e regimes, sem esquecer as influências externas, criam e recriam desafios práticos e teóricos para muitos.

O país agrário transforma-se em industrial, sem perder a cara agrícola. Tudo se urbaniza, aos poucos ou de modo abrupto, sem perder o jeito rural.

Uma época de muitos desafios. Pode-se dizer que “a década de 40 foi para o intelectual uma década de consolidação, especialmente quando se pensa em termos de universidade; a década de 50 é uma década de florescimento, de auto-afirmação e que engendra a era de conflito irremediável”. Os movimentos e acontecimentos sociais e políticos, bem como econômicos, culturais e outros levam o intelectual a repensar o seu relacionamento com a sociedade, a desmistificar muito do que conta a história.

Conclusão:

Primeiro, entra de maneira decisiva na construção da sociologia como um sistema de pensar a realidade social. O seu compromisso com as exigências lógicas e teóricas da reflexão científica representam uma contribuição básica, no sentido do amadurecimento da sociologia;

Segundo, cria um novo estilo de pensamento na sociologia brasileira. A sociologia crítica, compreendendo teoria e história, sintetiza um estilo de pensar a realidade social. Ao resgatar o ponto de vista crítico da sociologia clássica e moderna, com base nos ensinamentos do marxismo, e recuperar o ponto de vista crítico oferecido pelas condições de vida e trabalho dos oprimidos da cidade e do campo, a obra de Florestan Fernandes cria e estabelece um novo estilo de pensamento.

Assim, a sociologia brasileira adquire outra dimensão, alcança outro horizonte. É a partir desse horizonte que se torna possível re-voltar às raízes pretéritas, presentes; descortinar o futuro

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